O preço de nossas
coquistas
Vera Regina Sebben
Às vezes observamos que algumas pessoas têm
muito sucesso no que fazem. Ter sucesso é criar algo
a partir do nada. Ter sucesso é se sentir feliz e
realizada, por perseverar num sonho. Ter sucesso é
descobrir que o que fizemos a cada dia nos coloca ou nos
tira do sucesso.
Há aspectos fundamentais para realização
dos nossos projetos de vida:
Primeiramente precisamos saber onde queremos chegar e para
tal é necessária uma boa dose de coragem.
Coragem para desejar, coragem para sonhar.
Essa é uma característica que vem junto do
reconhecimento que temos de nossas realizações
passadas, de pequenos sucessos, que somados aliviam o medo
de sonhar e projetar novos jeitos de viver.
A coragem não elimina o medo, pois este faz parte
da nossa vida. Sempre temos medo de viver novas experiências.
E o importante não é eliminar o medo e sim
aprender a lidar com ele. Uma boa dose de otimismo e ousadia
auxilia nesse processo.
A conquista de algo exige sacrifício – sacro
ofício – ou seja, um ofício sagrado,
importante, que vem da alma. Devido a uma questão
cultural, o sacrifício está ligado ao sofrimento
e este ao desgaste e ao insucesso. Talvez seja interessante
invertermos essa polaridade: o sacro ofício pode
estar ligado a trilha que nos leva ao sucesso e portanto
as privações e necessidades que essa trilha
impõe podem se vistas como investimentos. Investimento
de tempo, investimento numa relação, investimento
para superar obstáculos que exigem um esforço
pessoal, que não pode ser pago com dinheiro, pois
o seu preço é a energia psíquica dedicada
ao projeto. Para alcançarmos nossos projetos não
existe atalho, depende de nós. Investimento financeiro
também pode fazer parte dos nossos sacrifícios,
mas sem o esforço humano ele perde o sentido.
E ser não der certo? A autoconfiança é
essencial para tudo. Se partirmos do princípio do
insucesso, se não acreditarmos em nós, quem
vai acreditar? Assim, começamos um processo de auto-boicote
e para que isso não ocorra é necessária
aquela dose de otimismo citada anteriormente. Se der certo
– ótimo, se o resultado não for o esperado,
com certeza será possível enxergar o mundo
de outra forma.
Se um dia tivemos talento para começar do zero,
porque não “re”-começar? Uma experiência
mal sucedida pode nos ensinar algumas lições.
Se conseguirmos enxergar de forma positiva e aprender com
as dificuldades que traçamos em nossas vidas, conseguiremos
força para novas iniciativas e para ousar na medida
certa. É o momento de rever nossos valores e seguir
o que nos é importante, enfrentando os novos desafios
com coragem.
A dor pela história vivida faz parte da experiência
e da dificuldade que temos em mudar o rumo das coisas. Sempre
fazemos algo esperando o sucesso e é de fato complicado
lidar com resultados opostos.
O ditado popular de que um novo amor cura a dor do que
se foi, vale também aqui. A possibilidade de compreender
a situação ocorrida e de projetar novas experiências
vai cicatrizando a dor. É claro que esta compreensão
muitas vezes requer a ajuda de um profissional especializado,
de um psicólogo.
De algum modo, a dor traz aprendizado e discernimento. Ela
envolve um conjunto de atributos, principalmente da reflexão
sobre os nossos atos (muitas pessoas param para pensar no
que fazem só quando dói). E no cerne da existência
humana temos que despertar a nossa habilidade para enfrentar
a vida, para formular projetos compatíveis com a
realidade, para ousar e, sobretudo para aprender a mudar
de rota no meio do percurso para começar de novo
e melhor. E assim nos tornamos melhores. E construímos
um mundo melhor. Aí qualquer sacrifício vale
a pena!